terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

LIXÃO QUÍMICO TÓXICO DA EMPRESA RHODIA em SARZEDO É INADMISSÍVEL, LETAL, CANCERÍGENO, COVARDIA ...!

LIXÃO QUÍMICO TÓXICO DA EMPRESA RHODIA em SARZEDO É INADMISSÍVEL, LETAL, CANCERÍGENO, COVARDIA ...!

O Governo de MG e Poder Judiciário já deveriam ter proibido a transferência – nem deveriam ter aceito - de resíduos tóxicos cancerígenos, produtos químicos letais de Cubatão, SP, para Sarzedo, MG.

ACPO (Associação de Combate aos Poluentes Associação de Consciência Prevenção Ocupacional), CGC: 00.034.558/0001-98, Núcleo de Saúde Socioambiental, dia 02/01/2016, entrou com REPRESENTAÇÃO com 25 páginas de argumentos na Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais REPRESENTAÇÃO, com base na Constituição Federal, na Convenção da Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e 2 seu Depósito (Decreto nº 875, de 19/07/1993), na Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (Decreto Executivo nº 5.472, de 20/06/2005), na Lei nº 9.605, de 12/02/1998, na Resolução CONAMA nº 316/2002 e outras que julgarem pertinentes, em face do perigo que se apresenta.

Trata-se da transferência interestadual de resíduos químicos tóxicos perigosos, oriundos dos municípios de Cubatão e São Vicente, região metropolitana da Baixada Santista, estado de São Paulo, que foram produzidos na fábrica da Rhodia em Cubatão, entre as décadas de 1960 e 1990, para serem incinerados no município de Sarzedo/MG, região metropolitana de Belo Horizonte no Estado de Minas Gerais. São conforme, consta em documentação, 300 toneladas por ano de carvão ativado contaminado com organoclorados [contendo POPs1] válidos até 2018 [CADRIS18002209 de 14/07/2014], e; 30 toneladas por ano de solo contaminado com organoclorados [contendo POPs] válidos até 2020 [CADRIS 18002385 de 11/06/2015]). Estes resíduos contêm substâncias imunotóxicas, hepatotóxicas, nefrotóxicas, cardiotóxicas, neurotóxicas e genotóxicas, capazes de interferir de maneira deletéria nos sistemas hormonal e reprodutivo, sendo ainda mutagênicas, teratogênicas e carcinogênicas. Incinerar não é solução justa e nem sustentável ecologicamente.

Além de gerar cinzas altamente tóxicas (material sólido pós-incineração), poluir o ar (emissões de chaminé) e a água (efluente líquidos) por diversas substâncias que não só as dioxinas, os incineradores destroem uma quantidade significativa de materiais nobres, ou seja, operam através da queima de recursos naturais muitas vezes não renováveis e que poderiam e deveriam ser utilizados e orientados para fins mais sustentáveis, sob a ótica ambiental. E por enquanto não entraremos no mérito de que o incinerador da Rhodia nunca conseguiu atingir a temperatura de projeto, ou seja, 1200ºC. E para manter os 1100ºC na saída do segundo forno, a qual foi posteriormente autorizada a operar, utilizou-se uma improvisação que consistia em colocar um jumper no relé do termopar de saída com aquele do meio do forno próximo a tocha do maçarico, pois o mesmo não alcançava essa temperatura no termopar de saída, resumindo, “burlava-se o sistema de segurança”.

Foi solicitado ao Senhor Procurador da República no Estado de Minas Gerais que tome as medidas cabíveis para proteger o meio ambiente e a saúde do povo mineiro, sobretudo, daqueles residentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte e entre outras ações que julgarem necessária, determinando que:

1. Se interrompa imediatamente o recebimento de resíduos tóxicos organoclorados provenientes da fábrica e áreas contaminadas de São Vicente e Cubatão/SP e que os responsáveis apresentem o local e condições em que estão sendo estocados os resíduos perigosos e as cinzas e escórias do material que por ventura foram queimados;

2. Suspenda imediatamente a incineração de resíduos tóxicos organoclorados proveniente do Estado de São Paulo, oriundos de São Vicente e Cubatão/SP, até que se comprova de maneira científica, transparente, aberta, livre e esclarecida que não há a criação de novos depósitos com passivos tóxicos em Minas Gerais (em aterros de qualquer natureza); Que não há risco de aumento da poluição nas bacias hidrográficas da região metropolitana de Belo Horizonte e de disponibilização de agentes genotóxicos perigosos como dioxinas e furanos para população no ar, no solo e nas águas dessa Região;
Se por medida de segurança se descontinue a incineração de resíduos genotóxicos contendo POPs em Sarzedo/MG, que sejam os mesmos remetidos de volta para origem e se adote os princípios da Convenção de Basiléia, tratando de desativar a periculosidade desses passivos no local de origem. Em contrário, visando à proteção ambiental e da saúde pública e coletiva do povo mineiro, se requeira:

a. A realização de AUDITORIA COMPLETA, INDEPENDENTE, TRANSPARENTE, LIVRE, ESCLARECIDA e ABERTA PARA A PARTICIPAÇÃO PÚBLICA do incinerador localizado em Sarzedo/MG para fins de verificação da sua capacidade de queimar resíduos tóxicos organoclorados contendo POPs, sobretudo, aqueles provenientes da produção e das áreas contaminadas de São Vicente e Cubatão/SP, sem comprometer o meio ambiente e a saúde pública e coletiva nas diversas instâncias e meios da região metropolitana de Belo Horizonte/MG;

b. A comprovação de consonância com o Art. 9º da Resolução CONAMA 316/2002;

c. A capacidade de recebimento adequado de resíduos contendo organoclorados contendo POPs;

d. A não criação de novos passivos para as futuras gerações;

e. A capacidade de preparação adequada a pré-incineração, sem permitir por volatilização a emissão de organoclorados contendo POPs para atmosfera e outros meios;

f. A capacidade de proteção integral à saúde dos trabalhadores;

3. A comprovação de que com a incineração em carga máxima dos resíduos organoclorados oriundos das áreas contaminadas de São Vicente e Cubatão/SP (conforme determina o teste de queima), as taxas de emissão de dioxinas, furanos, PCBs, hexaclorobenzeno, hexaclorobutadieno, pentaclorobenzeno, tertracloroetileno, pentaclorofenol, metais pesados, NOx, SOx, PM10, PM2,5, cloro, HCL, HF, CO, CO2 e O2, se manterão nos mesmo padrões que aqueles apresentados na queima de compostos não clorados;

4. Que se comprove que o incinerador de Sarzedo/MG possui a capacidade de “destruição” total da massa recebida (ED 99,99%) sem a criação de novos passivos perigosos que irão para aterros classe 1, transferindo-se responsabilidades e acumulando novos passivos no território mineiro;
5. Na continuidade da queima de resíduos contendo organoclorados, mesmo considerando os perigos da exposição humana, pois, nesse processo não há monitoramento contínuo de agentes organoclorados e POPs genotóxicos, que seja requisitado do órgão Estadual de Saúde que coordene um levantamento contínuo dos indicadores de saúde de toda a população do entorno e na ampla zona de influência da unidade de incineração (passado, presente e futuro) observando os desvios, e que, devido ao caráter crônico tanto da exposição, como da intoxicação representado por esses agentes patogênicos, se estabeleça um serviço de monitoramento e de vigilância em saúde por tempo indeterminado, e que este seja fiscalizado pelo conselho de saúde, com ampla participação pública.

Já se passaram 29 dias e cadê a decisão do procurador do MPF? A cada minuto a saúde de muita gente está sendo afetada.

Com a palavra as autoridades. Se não o povo vai ter que agir.

FORA JÁ COM LIXÃO TÓXICO DE SARZEDO, MG!

Assina,
Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG).


Imagem 1, abaixo. - Área de Maior Risco: um raio de 60 Kms. 


Imagem 2, abaixo: LOCALIZAÇÃO DO INCINERADOR DE SARZEDO - INFLUÊNCIA EM ZONAS DE RESIDÊNCIAS E ÁREAS DE LAZER: 300 metros, duas zonas residenciais e distante 200 metros, campo de futebol; 


CARTA DA AMPLIADA DAS CEBs AO POVO DE DEUS. Londrina, PR, 31/01/2016.

CARTA DA AMPLIADA DAS CEBs AO POVO DE DEUS.
Londrina, PR, 31/01/2016.

Desde as terras vermelhas do norte do Paraná, na cidade de Londrina, os 70 participantes da Ampliada Nacional das CEBs, entre os que destacamos a presença de Dom Orlando Brandes, arcebispo da arquidiocese que nos acolhe, Dom Giovane Pereira de Melo, bispo referencial do Setor CEBs na Comissão para o laicato na CNBB e Dom Manoel João Francisco, que acompanha as CEBs no estado do Paraná, Regional Sul II, celebrada entre os dias 29 a 31 de janeiro de 2016, queremos comunicar os passos dados para avançar no processo de construção conjunta do 14º Intereclesial das CEBs, que será realizado de 23 a 27 de Janeiro de 2018, com o tema “CEBs e os desafios no mundo urbano” e o lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex. 3,7).
A discussão sobre a construção do Texto Base foi o ponto de partida do debate entre os membros da Ampliada, aspecto que foi retomado em diferentes momentos do nosso encontro. A partir do método ver, julgar e agir, se pretende elaborar um texto de fácil compreensão que possa ajudar às lideranças das comunidades, partindo do que foi refletido no Seminário, que aconteceu nos dias 27 e 28 de Janeiro e que colocou em nosso meio 8 desafios: moradia, mobilidade, violência, sustentabilidade, trabalho, saúde, educação e tecnologias. O Texto Base quer mostrar a realidade do mundo urbano, seus processos históricos e os desafios que hoje devem ser enfrentados, tudo isso iluminado desde a reflexão bíblico-teológica e concretizado em experiências reais que mostram a historia e realidade das CEBs do Brasil.
Fomos enviados para conhecer diferentes comunidades da arquidiocese, o que nos ajudou a colocar os pés neste chão vermelho, olhar a realidade sócio-eclesial local e nos animar mutuamente com a caminhada de cada um. Nesse sentido fomos impactados pela chacina acontecida nos dias da Ampliada, na cidade de Londrina, sinal da violência que assola o mundo urbano. Também tentamos ser divulgadores entre o povo londrinense do Intereclesial e o que isso pode significar para eles.
O Secretariado do 14º Intereclesial mostrou os passos dados até hoje, partindo da história local e socializando os objetivos, metodologia, equipes, planejamento e os efeitos do projeto, assim como as possíveis fontes de financiamento do nosso encontro.
Igualmente foram encaminhados outros aspectos que formam parte do Intereclesial, como o cartaz, a oração, o cancioneiro, assim como o Seminário de Assessores e diferentes oficinas que serão realizadas. A reunião por grandes regiões foi momento para partilhar a caminhada dos diferentes regionais, organizar calendários conjuntos e distribuir as vagas para o Encontro Latino Americano a ser celebrado no Paraguai em setembro de 2016. A confraternização e partilha na noite cultural ajudou a estreitar os laços de amizade.
Junto com isso foram abordadas diferentes questões ao longo da Ampliada como a pesquisa sobre as CEBs no Brasil, o Projeto Memória e Caminhada, as vagas para o Intereclesial, o acontecido no encontro do Cone Sul, a composição da Ampliada, a comunicação e o site cebsdobrasil.com.br.
Não podemos esquecer os momentos de oração e celebração vividos nestes dias e que nos ajudaram a ver e ouvir os clamores do povo, a partilhar a vida das comunidades londrinenses e trazer para o nosso meio a vida e memória de tantos mártires que deram a vida pelo Reino.

Amem, Axé, Auêre, Aleluia

Balanço da questão agrária no Brasil em 2015

Publicado: Terça, 05 Janeiro 2016 19:47
Confira o balanço do ano de 2015 sobre a Questão Agrária brasileira, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra – Regional Nordeste II.

O ano de 2015 foi marcado pelo desmonte de órgãos do Governo e por cortes de recursos públicos para a Reforma Agrária e demarcação de territórios quilombolas e indígenas. A aliança do Estado brasileiro com o agronegócio se intensificou, atingindo diretamente o conjunto dos povos do campo. A violência contra as comunidades camponesas e povos indígenas foi praticada não só pela lógica do capitalismo, como também pelo Estado brasileiro.
O número de assassinatos no campo cresceu. A destruição das florestas aumentou. O uso de veneno, que chega a nossas mesas, foi ampliado. Os recursos para o Programa de Construção de Cisternas e outras tecnologias sociais sofreram cortes e no campo persistiu o trabalho escravo. A natureza foi, cada vez mais, o filão das empresas capitalistas. Com isso, seguiu intensamente a apropriação das águas, das terras, do sol e do ar. A natureza foi e está sendo privatizada. Neste cenário, fica mais clara a lógica do capitalismo e do Estado brasileiro.
 Do outro lado, a memória dos povos do campo e a crescente violência o fizeram permanecer em luta. Foram inúmeras ocupações e retomadas de terra, marchas, jornadas e protestos que alimentaram a rebeldia necessária para manter a esperança na construção da Terra sem males, do Bem Viver.
Confira abaixo o balanço da questão agrária brasileira no ano de 2015, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra – Regional Nordeste II:
No início de 2015, o sentimento era de que, após as tensões eleitorais diante da possibilidade de vitória de um candidato expressamente de direita, seria possível uma polarização de projetos e mudanças de rumo na política para o campo brasileiro. Ledo engano: os cenários político e econômico brasileiro se agravaram e produziram impactos negativos nas lutas do campo.
O Congresso Nacional, com a mais conservadora formação das últimas décadas, manteve-se a serviço do poder econômico, que financiou as ricas campanhas eleitorais e, ao mesmo tempo, se colocou como palco da crise política e do prolongamento da disputa eleitoral, em prejuízo de uma pauta que fosse de interesse real da sociedade. Houve uma preocupante predominância de pautas conservadoras. São exemplos: os inquietadores projetos para implantar a terceirização, a redução da maioridade penal, a restrição da demarcação das terras indígenas, a mudança na rotulação de produtos transgênicos, o tratamento restritivo do estatuto da família, a mudança do estatuto do desarmamento, a mudança no regime de partilha do pré-sal, dentre outras iniciativas voltadas ao conservadorismo e ao retrocesso nas conquistas sociais.
Com isso, as injustiças, as desigualdades sociais e ambientais voltaram a se intensificar e o Governo andou para trás no caminho de superar os desafios e impasses da luta da terra, deixando de atender a demanda histórica pela Reforma Agrária e os direitos dos povos do campo.
Cortes do orçamento da Reforma Agrária
Em consequência desse quadro, as desapropriações de terras foram drasticamente prejudicadas com o corte de 15,1%, afetado pelo contingenciamento do orçamento da União. O Ministério do Desenvolvimento Agrário sofreu, em termos absolutos, uma redução de 49% do montante previsto inicialmente na Lei Orçamentária Anual de 2015. O Incra, que possuía um orçamento inicial da ordem de R$ 1,65 bilhão, atuou em 2015 com metade deste valor: R$ 874,37 milhões.
Sequer foi cumprida a estimativa do governo para 2015 que era de atingir uma meta de trinta mil novas famílias assentadas e, até 2018, zerar o número de trabalhadores e trabalhadoras rurais acampadas no país, caso não ocorressem mais ocupações até essa data - tendo em vista que os movimentos sociais indicam o número atual de 120 mil famílias acampadas no país. Os movimentos sociais do campo questionam os dados do MDA que declarou ter assentado cerca de 13 mil famílias de trabalhadores rurais até outubro, quando somente cerca de sete mil novas famílias haviam sido assentadas até então. De todo modo, o número é muito aquém da necessidade das famílias acampadas no Brasil.
Continuam os conflitos e violência no campo
A manutenção da aliança com o agronegócio acarretou o agravamento da violência vivida pelas comunidades camponesas que lutam por direitos e pela permanência em seus territórios. Os registros parciais da CPT apontam que o Nordeste foi a região em que houve mais ocorrência de conflitos no campo em 2015, representando 35% dos casos em todo o país. Em seguida, veio a região Norte, com 27% das ocorrências, o Centro-Oeste com 17%, o Sudeste com 15% e, finalmente, o Sul do país com 5,5%.
Parte significativa das ocorrências de conflitos neste ano continuou sendo provocada pelo poder privado, com destaque para fazendeiros, grandes latifundiários, grandes empresas, mineradoras, hidrelétricas, portos, dentre outras grandes obras de infraestrutura. O fato demonstra uma disputa, excessivamente desigual, por territórios e bens naturais entre o poder privado e as comunidades camponesas. Apesar disso, permanece alarmante a violência praticada pelo próprio Estado Brasileiro, através da força policial, dos investimentos aos grandes projetos desenvolvimentistas, das ações do Poder Judiciário e das portarias e decretos que limitam as demarcações e desapropriações.
No Estado de Pernambuco, um dos destaques da violência ficou por conta do Complexo Industrial e Portuário de Suape, como revelam as denúncias feitas pelos camponeses posseiros da área quanto a abusos cometidos pela empresa pública, sobretudo de ameaças, despejos forçados e de criminalização dos mesmos. Em diversas audiências públicas, os camponeses denunciaram publicamente as ações de violência protagonizadas pelo Complexo, inclusive a existência de trabalhadores ameaçados de morte e a forte atuação de milícias armadas contratadas e formadas por Suape. Foram feitas denúncias internacionais, inclusive em audiência na Comissão Interamericana de Direito Humanos e com o relator especial da ONU sobre defensores e defensoras de Direitos Humanos.
Outro exemplo da violência sofrida pelas comunidades camponesas ocorreu na Fazenda Salgadinho, no estado da Paraíba. Localizada no município de Mogeiro, a área foi palco de um conflito que envolveu 33 famílias de posseiros que vivem e trabalham no local há mais de 50 anos. Há oito anos, os proprietários vinham ameaçando os camponeses/as de expulsão. Em 2015, os capangas da Fazenda, atiraram, com frequência, nas proximidades das casas dos posseiros, como forma de ameaça e amedrontamento. Em um desses ataques, seis posseiros foram baleados no tórax e pernas, sendo que um deles teve cinco perfurações no abdômen. Vários boletins de ocorrência foram feitos e nenhuma providência eficaz foi adotada.
A Terra encharcada de sangue
O ano que se encerra também deixa outra triste marca na história do campesinato, com os assassinatos no campo se destacando e ganhando repercussão nacional e internacional. Segundos dados parciais da CPT, o número de assassinatos no campo é o maior desde 2004. Foram 49 assassinatos de camponeses, sobretudo de posseiros, sem terras e assentados da Reforma Agrária.
Se a região Nordeste concentra o maior número de ocorrências de conflitos agrários, o Norte do país se destaca por possuir os piores índices de conflitos com vítimas fatais. Dos 49 assassinatos no campo, 21 ocorreram somente no estado de Rondônia. De acordo com a CPT no estado, os casos expressam a espiral crescente de assassinatos de sem terras por jagunços, a mando dos latifundiários, com denúncias de envolvimento de policiais e milícias armadas. Além de Rondônia, 19 assassinatos foram registrados no estado do Pará e cinco no Maranhão. Estes foram os três estados que lideraram o índice de violência no campo com vítimas fatais em 2015.
Um dos casos de assassinato que mais chocou o país ocorreu no município de Conceição do Araguaia/PA. Seis pessoas de uma mesma família foram assassinadas a golpes de facão e tiros. O crime foi motivado por disputa por lote de terra, ocasionadas pela morosidade dos processos de regularização fundiária. Esta é uma das principais causas do acirramento da violência no campo. Quanto mais o Incra demora para solucionar os conflitos fundiários, mais violência e assassinatos acontecem envolvendo vítimas e pessoas inocentes, nas áreas das comunidades tradicionais e de ocupações.
Outra vítima fatal em circunstâncias absurdas foi a trabalhadora rural Maria das Dores dos Santos, conhecida como Dora, que vivia na comunidade de Portelinha, município de Iranduba/AM. Ela foi sequestrada de sua casa por cinco homens fortemente armados e executada com 12 tiros de pistola. Dora vinha sendo ameaçada de morte e tinha procurado ajuda na Delegacia de Iranduba, local em que registrou 18 boletins de ocorrência por ameaça. A trabalhadora também havia feito denúncias na Assembleia Legislativa.
Meio ambiente: o verde do dólar é o que interessa
Os dados oficiais do Governo Federal apontam que houve um aumento de 16% do desmatamento da Amazônia entre agosto de 2014 e julho de 2015, em comparação com o mesmo período anterior. Os Estados do Amazonas (54%), Rondônia (41%) e Mato Grosso (40%) foram os que mais sofreram com o aumento, que foi mais acentuado no velho e bem conhecido arco do desmatamento (faixa de fronteira da expansão da soja e da pecuária, que avança sobre o coração da Amazônia). O fato revela a tendência de crescimento dos índices de desmatamento, provocado por incentivo do próprio Estado à expansão dessas atividades sobre a floresta, incluindo os territórios de povos e comunidades tradicionais.
A tragédia de Mariana, além de ser um dos maiores desastres ambientais na história, revelou que o Estado prossegue na contramão das necessidades globais, atendendo os interesses de empresas criminosas que financiam parlamentares e defendem o crescimento a qualquer custo. As bancadas da mineração, ruralistas e de outros parlamentares federais e senadores ligados ao mercado, tentam, através do Projeto de Lei 654/2015, enfraquecer ainda mais o processo do licenciamento ambiental, visando encurtar o tempo de análise técnica dos projetos e eliminar etapas do processo de licenciamento.
O veneno nosso de cada dia
Na contramão dos alertas das organizações sociais sobre segurança e soberania alimentar, o Brasil continuou ampliando a sua liderança como maior consumidor mundial de agrotóxicos, mantendo a autorização de comercialização e uso de produtos que já foram banidos em vários países. Enquanto de um lado, os órgãos reguladores são flexíveis com a liberação desses produtos no país, a estrutura dos órgãos de vigilância e fiscalização foi concebida para não funcionar e impede o acompanhamento das populações expostas, deixando de verificar quais são os riscos do contato com essas substâncias.
O Instituto Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz avaliações sobre diversos agrotóxicos, classificou alguns desses produtos como carcinógeno humano, dentre eles o glifosato e o herbicida 2,4-D, que têm o seu uso permitido no Brasil. Enquanto o Brasil se afoga em agrotóxicos, organizações e movimentos sociais apontam que a única forma de retirar o veneno da mesa é através da agroecologia e de políticas de estado que possam investir na produção camponesa, historicamente ignorada pelos Governos.
A convivência com o Semiárido não foi prioridade
2015 foi o quinto ano consecutivo da estiagem considerada a maior dos últimos 80 anos no país, com cerca de mil municípios na região decretando situação de emergência. Apesar da importante redução da mortalidade humana, da fome e dos saques, em razão de programas públicos exigidos pelo povo sertanejo, o nordestino continuou sofrendo severos impactos diante da prioridade dos Governos aos grandes empreendimentos e ao latifúndio.
De fato, o prolongamento do período de seca representou o aumento da perda da produção agrícola e pecuária na região, provocando a descapitalização das comunidades camponesas que vivem não somente no sertão, mas também nas zonas da mata e litoral nordestino. Este, por sinal, será um dos principais desafios para os próximos anos: a recomposição do rebanho dizimado, que é fonte de renda e alimentação de muitas famílias camponesas.
Por sua vez, a secagem nos açudes e cacimbas também tem sido uma das consequências deste aterrador contexto. Os principais reservatórios e geradores de energia do Nordeste estão com níveis baixíssimos e em colapso. Neste contexto, os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí ocupam a posição mais grave prevista na ordem classificatória adotada pela Agência Nacional das Águas (ANA).
Do ponto de vista dos camponeses, dos pequenos agricultores e das populações tradicionais, esse quadro continua agravado por um aspecto há muito conhecido no Nordeste: a concentração das águas para o desenvolvimento de grandes empreendimentos industriais ou agropecuários voltados para a exportação. Significa dizer que, enquanto os trabalhadores/as viveram em 2015 a pior seca das últimas décadas, as empresas (de fruticultura, mineração, automotiva, entre outras) apropriaram-se do bem em escassez, sem que os poderes públicos adotassem qualquer medida protetora para a população.
Tais empreendimentos perpetuam o modelo de apropriação da água no Nordeste. Com isso, tem-se o aumento considerável de casos de disputa pela água na área rural. Um dos exemplos deste fenômeno é o caso dos conflitos pela água nos municípios inseridos na Bacia hidrográfica Apodi-Mossoró/RN, além da já denunciada apropriação das águas do aquífero Jandaíra, um dos maiores do Nordeste.
As organizações sociais questionaram, em 2015, grandes empreendimentos em curso no Nordeste, a exemplo do canal do sertão, considerada a maior obra de infraestrutura hídrica no estado de Alagoas e um dos maiores do Nordeste. O canal, que compõe o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, terá 250 quilômetros de água para 42 municípios alagoanos, do Sertão ao Agreste. A cada trecho é uma festa pública de inauguração e nada da água chegar à torneira dos trabalhadores/as. De acordo com especialistas, obras deste porte costumam destinar somente cerca de 6% da água para consumo humano e o restante para irrigação por grandes empreendimentos. As organizações sociais que atuam na área denunciam que esta água será um privilégio para poucos. Pelo mesmo caminho, se teme que vá a tão polêmica obra da Transposição do Rio Francisco, que em 2015 ganhou destaque por investigações de supostos desvios elevados de verbas públicas em sua construção.
Mesmo diante de um cenário estarrecedor, estima-se que a migração para outras regiões do país foi menor em 2015, fato este atribuído justamente ao pouco que se conquistou de Reforma Agrária e de iniciativas de convivência no semiárido. Contudo, tais iniciativas sofreram cortes drásticos em 2015, como os sofridos pela Articulação Nacional do Semiárido (ASA).
Trabalho escravo em 2015: Recuo dos números, crescimento das preocupações
O ano de 2015, que iniciou com a suspensão da Lista Suja de Trabalho Escravo por decisão liminar do STF a pedido de grandes construtoras, chega ao fim com graves preocupações quanto à continuidade da política brasileira de combate ao trabalho escravo.
Em 2015, cerca de mil trabalhadores/as foram resgatados da escravidão – um número em nítida redução se comparado à média dos quatro anos anteriores (2.260). Essa queda ocorre no exato momento em que parte dos congressistas, no afã de reduzir mais e mais direitos, quer aprovar a revisão da definição legal do trabalho escravo. A alegação é de que o conceito atual, enunciado no artigo 149 do Código Penal – em vigor desde 2003 e parabenizado internacionalmente –, abre a porta a exageros, arbitrariedade e insegurança jurídica. Trata-se de uma alegação falsa, pois o baixo efetivo de auditores fiscais em atividade tem reduzido as autuações, considerando como em condições análogas à escravidão apenas um caso em cada sete estabelecimentos fiscalizados, sob o frágil argumento de que trabalho escravo só se caracterizaria pela soma de violações e não pela verificação de infrações isoladas.
Segundo dados parciais, os estados que lideraram o ranking de trabalho escravo identificados em 2015 pela CPT, foram Minas Gerais, Maranhão, Rio de Janeiro e Pará. As principais atividades que se beneficiaram da prática do trabalho escravo em 2015 foram: a construção civil (243 resgatados), a pecuária (133) e o extrativismo vegetal (114), sendo 52 no PI e 37 no CE. Na prática do trabalho escravo em geral, as atividades econômicas ligadas ao campo predominaram sobre as atividades urbanas. Segundo a análise da Divisão de Erradicação do Trabalho Escravo (DETRAE), do Ministério do Trabalho, o perfil atual das vítimas é de jovens do sexo masculino, com baixa escolaridade e que tenham migrado internamente no Brasil. Doze trabalhadores encontrados tinham idade inferior a 16 anos, enquanto 24 tinham entre 16 e 18 anos.
Vale lembrar que no final do ano, poucos dias após a entrega do Prêmio Nacional de Direitos Humanos à militante Brígida Rocha, da Campanha De Olho Aberto para Não Virar Escravo, coordenada pela CPT, uma pronta mobilização permitiu evitar no Senado a votação-relâmpago do Projeto de Lei que - sob pretexto de regulamentar a emenda constitucional do confisco da propriedade dos escravistas - propõe eliminar os principais elementos caracterizadores do trabalho escravo, ou seja: os que remetem à violação da dignidade da pessoa (as condições degradantes e a jornada exaustiva).
Lutas que marcaram 2015
Mesmo diante de todas as dificuldades impostas pelo Estado, pelo agronegócio e grandes empreendimentos, os camponeses e camponesas enfrentaram os desafios que lhes foram impostos, lutaram pela Reforma Agrária e pela demarcação de seus territórios.
O ano foi de intensas mobilizações e lutas. Algumas destas marcaram o ano que se encerrou, como a jornada das mulheres da Via Campesina e a marcha das Margaridas, realizadas em março e agosto, respectivamente, mobilizando milhares de camponesas de todo o país.
As ocupações de terras também ganharam força em 2015. Conforme dados parciais da CPT, 34% dos latifúndios ocupados estão localizados na região Nordeste, 26% no Centro-Oeste, 17% no Sudeste, 11,5% no Sul e finalmente 11% no Norte. Os estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Pernambuco lideraram a lista das ocupações de latifúndios improdutivos. Grande parte dessas foi realizada pelo MST no mês de abril, durante a sua Jornada de caráter nacional, o Abril Vermelho.
O movimento sindical também ocupou as ruas em 2015, a exemplo da realização de mais uma edição do Grito da Terra, realizado em Brasília no mês de maio. A mobilização nacional, que reuniu milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais, foi precedida de um conjunto de manifestações estaduais e regionais.
Os povos indígenas de todo o Brasil também realizaram grandes mobilizações e fizeram de Brasília um de seus principais campos de luta contra a PEC-215. Um exemplo emblemático foi a manifestação ocorrida no mês de outubro, quando centenas de indígenas, quilombolas e pescadores tradicionais ocuparam a Câmara dos Deputados, em protesto à PEC. Na ocasião, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, recriminou os manifestantes. As luzes, microfones e ar-condicionados foram desligados, sob ordens do presidente da Câmara. A polícia cercou o local e impediu a entrada de advogadas e advogados. Além dos protestos, as populações indígenas exigiram respeito, denunciaram as violências de que são vítimas em inúmeros fóruns e tribunais nacionais e internacionais e reivindicaram o cumprimento da Constituição para impedir retrocessos ou supressão de direitos.
Perspectivas para 2016
A ameaça real, de que os preocupantes cenários político e econômico vividos em 2015 se prolonguem no ano de 2016, evidencia que somente com muita organização e luta é que os trabalhadores rurais e movimentos sociais conseguirão evitar a clara tendência da permanência dos conflitos agrários.
As comunidades camponesas impactadas por este modelo de desenvolvimento continuarão desafiadas a assumir para si a responsabilidade da resistência como único caminho para permanecerem existindo. De fato, não são poucos os desafios que se apresentam para o ano que se anuncia, em razão da persistência do modelo alicerçado no agronegócio, da exploração do latifúndio e sem qualquer preocupação com os povos do campo e com o meio ambiente. Os desafios são enormes e, aos povos do campo, caberá a firmeza no olhar e a coragem nos passos para avançar em seus direitos, como sempre fizeram.
Mais informações:
Cristiane Passos (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6406 / 8111-2890
Elvis Marques (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6414 / 8444-0096

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INSCRIÇÕES ENCERRADAS - Encontros 2016 de Espiritualidade Ecumênica CEBI-MG

Olá Irmã(o) de Fé, Saúde e paz!

Confirmadas inscrições para o primeiro Encontro de Espiritualidade Ecumênica 2016 do CEBI-MG, no estilo de oração da Taizé. Esse acontecerá dia 20/02 próximo, 3º sábado do mês, de 14 às 17hs, no Espaço Bíblico do CEBI-MG na Rua da Bahia, 1148 12º andar Sala 1205 - Centro de Belo Horizonte/MG (é o Edifício Maleta na esquina com a Avenida Augusto de Lima).

A tempo: INSCRIÇÕES ENCERRADAS PARA ESSA PRIMEIRA TARDE.

ps. receberemos mais inscrições de interessad@s para uma lista de espera no link abaixo:

Conforme o novo número, vamos ver outros locais maiores, com parceiros como o CONIC-MG para futuros encontros

No aguardo, terno abraço.

Amauri Dias de Moura pelo CEBI-MG
(31) 9 8554.7481 oi e whatsapp e 9 9419.5907 tim
Skype amaurid2012

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TAIZÉ BH
Encontros de Espiritualidade Ecumênica ao estilo de Taizé
Promoção CEBI-MG e parceir@s

Curso On Line e Gratuito: Desastres Socioambientais e Participação Social

Curso On Line e Gratuito: Desastres Socioambientais e Participação Social
Data de Início: 22/2/2016 │Data de Término: 22/3/2016
Objetivo: Gerar conhecimentos e facilitar a mobilização das comunidades na Gestão de Risco de Desastres. Serão enfatizados os conceitos principais, o cenário nacional e internacional da ocorrência de desastres, os programas da ONU e os Planos de Preparação e Resposta para situações de desastre: Manejo do Desastre.
Inscrições: 28/01 à 23/02/2016.
Duração: 30 Horas
Modalidade: Curso conceitual online (GRATUITO).
Público – alvo: Aberto ao público em geral.
Haverá certificado para os concluíntes.
As inscrições serão confirmadas em até 24 Horas.
O conteúdo do curso é de uso exclusivo da Rede Mobilizadores. Tal conteúdo não poderá ser reproduzido.

[assembleiapopularmg] A obra de Chatô e os jornalistas de MG - Fernando Morais

Sempre fui fã do Fernando Morais,cada dia mais. O texto já circulou, mas parece que nem todos leram. 

A obra de Chatô e os jornalistas de MG




Quem sai do elevador no segundo andar do prédio da Avenida Getúlio Vargas, 291, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte, e vira à direita, a caminho da catraca que separa a redação do jornal Estado de Minas do resto do mundo, dá com um retrato, esgarçado pela passagem do tempo e pelo desmazelo, de Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o personagem a quem chamei de o Rei do Brasil na biografia que escrevi e foi transformada em filme com a direção de Guilherme Fontes.
Antes de morrer, Chatô fez o possível para evitar que seu império de comunicação ficasse nas mãos de sua família e fosse dilapidado pela falta de profissionalismo.
Criou um condomínio e deu o poder aos funcionários de confiança. Porém, os anos passaram e hoje quem comanda os Diários Associados é a família Teixeira da Costa.
O quinhão da família da histórica cidade de Santa Luzia veio de Geraldo Teixeira da Costa, o Gegê, que comandava o Estado de Minas à época de Chatô.
Gegê morreu jovem ao ser baleado por seis tiros de cartucheira na porta de sua mansão. As balas foram disparados pelo pai de uma adolescente de 15 anos que o comandante dos Associados em Minas havia seduzido. A adolescente trabalhava na casa dele como doméstica.
Álvaro Teixeira da Costa, o filho de Gegê, é o diretor-presidente dos Diários Associados.
Dr. Álvaro, como gosta de ser chamado, é engenheiro de formação e foi durante muitos anos diretor industrial dos Associados. Com habilidade política conseguiu costurar com os outros condôminos e assumir o grupo em todo o país.
Quem manda de fato no grupo, porém, é o filho de Álvaro; Geraldo Teixeira da Costa Neto, o Zeca, como gosta de ser chamado. Zeca é um jornalista que nada fez de grandioso na profissão.
Na alta sociedade de Belo Horizonte e é conhecido por duas paixões que beiram o fanatismo: Aécio Neves e o Clube Atlético Mineiro.
Pai e filho ditam as regras de um grupo que flerta com a bancarrota e representam tudo que Chatô não queria. Os Associados se tornaram uma empresa familiar.
A ruína acontece por vários motivos, que vão da crise mundial ao modelo de negócio. Mas é inegável que a gestão errônea contribui para a derrocada do grupo.
A disputa entre funcionários e patrões deu visibilidade às cicatrizes expostas dos Diários Associados. Aquele que um dia foi o maior império de comunicação do país enfrenta uma profunda crise econômica.
O mês de janeiro está no fim e os trabalhadores da TV Alterosa (afiliada do SBT em Minas Gerais) e do Jornal Estado de Minas ainda não receberam o décimo-terceiro salário.
Fosse apenas o atraso do salário, talvez os funcionários tivessem suportado, fortes que são e habituados a levar pancadas. Mas somam-se ao débito vários atrasos nos repasses de FGTS, INSS, horas extras não pagas e um rosário de acintes à legislação trabalhista.
O descaso foi tanto que os funcionários da Alterosa e Estado de Minas fizeram uma paralisação geral no dia 28 de dezembro do ano passado.
Diante da falta de proposta para o pagamento os jornalistas do Estado de Minas (principalmente os repórteres) cruzaram os braços no dias 14 e 15 de janeiro. Se não foi algo inédito é surpreendente.
Quem vê de fora talvez não compreenda o que representa jornalistas fazerem greve. Não é comum.
As opções de trabalho são poucas, muitos não se veem como trabalhadores e se julgam parte de uma elite, apesar de seus contracheques mostrarem que estão longe disso.
O que os jornalistas dos Associados fizeram é algo histórico para a atual geração. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, sabe-se de duas greve. Uma no início da década de 1990, dos trabalhadores da Rede Globo e outra, em 1963, dos funcionários dos Diários Associados.
Os funcionários, aliás, não podem ser acusados de radicais. Seus representantes sindicais participaram de mais 40 audiências de mediação.
A intransigência dos condôminos dos Associados se escora em uma ameaça de redução de 30% da folha pagamento do grupo, o que representará um imenso corte no número de funcionários e, é claro, serve como ameaça para intimidar os jornalistas a não seguirem com as paralisações.
Acompanho de perto os movimentos em Minas Gerais e, se escrevesse uma edição atualizada de “Chatô”, uma das cenas que poderia ilustrar bem a atual conjuntura teve como cenário a Avenida Assis Chateaubriand, uma das principais de Belo Horizonte, onde está a sede da TV Alterosa.
No dia 29 de dezembro, uma manifestação dos funcionários na porta da TV Alterosa, inteiramente pacífica, foi surpreendida pela chegada de mais de cem policiais militares do Batalhão de Choque.
Segundo informação dos próprios militares, eles foram chamados por um funcionário da empresa, que ainda não foi identificado pelo comando dos Diários Associados.
Se chamar a polícia para bater em jornalistas ainda não é o fim, é algo muito próximo disso. Aos meus colegas de profissão desejo apenas que não esmoreçam.
__._,_.___

Enviado por: Frederico Santana Rick <fredsantanarick@gmail.com>

COMUNICAÇÃO MST: Mineradora ANGLO esta disposta a sair do Brasil, depois de tanto lucro e de tanto estrago.... jornal o Globo coluna de Ancelmo Gois, 1 fev 16

DEPOIS DE EXPROPRIAR OS RECURSOS PUBLICOS (VIA BNDES), DESTRUIR A NATUREZA, SALINIZAR AS ÁGUAS; DESERTIFICA OS SOLOS; UTILIZA  TRABALHO ANÁLOGO A ESCRAVIDÃO; COLOCAR MILHARES  DE FAMÍLIAS CAMPONESAS EM SITUAÇÕES MAIS QUE PRECÁRIAS, APÓS EXPULSAREM CENTENAS DE FAMILIAS DA REGIAO DE AÇU, DE SUAS TERRAS PARA UM EMPREENDIMENTO FRACASSO COM SEU EIKE BATISTA, EM CONLUIO COM O ESTADO DO RJ,
E DEPOIS ABANDONAM O TERRITÓRIO (MINAS RIO)...   

RESOLVEM DEIXAR O PÁIS, INCOLUMES,
OU COM ALGUM TEMOR, QUE ALGUM DIA ESSE POVO SE LEVANTE?



GOIS DE PAPEL

Mineiradora Anglo American deve vender seus ativos no Brasil

POR ANCELMO GOIS
01/02/2016 07:05
Bye, bye, Brasil A mamute e centenária mineradora Anglo American receberá propostas, dia 15, para vender todos os ativos no Brasil, e não só os de fosfato e nióbio. Estão à venda: Minas Rio, de minério de ferro; Barro Alt, de níquel; e Coperbras, de fosfato e nióbio. Negócio de US$ 3 bilhões. 
Tombo bilionário... Só a Minas Rio, que a Anglo comprou de Eike Batista, em 2007, deve ter enterrado uns US$ 15 bi.